terça-feira, 10 de abril de 2012

O Festim dos Corvos


Sim, é isso mesmo oque vocês estão vendo, eu finalmente terminei de ler o quarto livro da série "Crônicas de Gelo e Fogo". E demorou...

Demorou muito mais do que eu previa, se continuasse a ler o livro no mesmo ritmo que eu comecei, teria terminado em apenas uma semana, e o verdadeiro motivo por eu não ter feito isso é... Não contarei agora, em vez disso...

A série da HBO foi anunciada, um novo best seller nascia nos EUA, e as editoras e livrarias não perderam tempo, já foram logo colocando nas suas prateleiras aquele que seria a mais nova febre literária do momento. E acertaram em cheio, é claro. A publicidade é cada dia mais eficiente.

Enquanto o seriado lançava sua primeira temporada, o autor dos livros G.R.R.Martin publicava o seu quinto volume da série nos EUA, "A dance with dragons". Já aqui no Brasil, tínhamos apenas os dois primeiros livros traduzidos, e o terceiro logo a caminho.


Lógico que viciados como quase todos nós ficamos, assistimos ao seriado, lemos os dois primeiros livros, e em questão de poucos meses já estávamos acompanhando o terceiro, e já no ansiosíssimo aguardo do quarto que ainda demoraria muito.

Quem leu a resenha que fiz de "A Tormenta de Espadas" sabe como foi emocionante para mim ler tudo aquilo ali, a ansiedade que eu senti para ter o quarto livro em mãos não consegue ser explicada, imagina a que outras pessoas sentiram no meu lugar?

Finalmente, o dia chegou.

Apesar de anunciada a pré-venda nos principais sites de compra on-line, fui firme, e segui os conselhos de meu pai, o Brasil é o único lugar do mundo, onde as coisas chegam nas lojas antes de chegar nas casas das pessoas que compraram na pré-venda.

E sim, valeu muito apena, foi anunciar o lançamento oficial, e meu pai já foi nas livrarias e me trouxe num dia (que não me recordo agora) de noite para ver a minha cara de felicidade.

Extremamente feliz, deitei na cama e abri aquele livro com cheirinho de novo que eu adoro, e comecei a engolir as suas páginas furiosamente!

Para que? Para nada...

Repentinamente me vi sendo altamente enrolada, era como se nada estivesse acontecendo, página após página, aqueles personagens tão queridos não apareciam, a exceção de Arya, onde é que estavam todos os outros?

Pois bem, eis aqui o motivo do porque eu demorei tanto. O autor, em sua infinita empolgação, escreveu tanto, mas tanto, que quando se deu conta, estava escrevendo um livro gigantesco demais para ser publicado em um volume só. Lógico, ele poderia simplesmente parar por ai, colocar um "Continua..." e publicar o resto depois. Então ele teve a ideia, melhor contar toda a história de alguns personagens primeiro, e depois contar a dos outros.

E adivinha quais foram os outros que ficaram para o próximo livro? Tyrion, Jon, Daenarys...

Pois é... Nada mais desmotivante  do que isso, mas estou sendo cruel com o livro, ele não é ruim não, de forma alguma. Apenas fui com cede demais ao pote, e falando em cede, outra coisa que me motivou a demorar tanto foi saber que o próximo sairia só no semestre seguinte, portanto, pra que a pressa? Não é muito melhor ler com calma e degustar a história como um bom vinho? Melhor assim.

Vamos logo para as partes técnicas da história. Quem já conhece os livros já está habituada a forma novelesca que Martin gosta de empregar. Dando nomes aos bois, ele narra cada capítulo pela perspectiva de alguns personagens, e a cada livro ele muda seus protagonistas, e é lógico que nesse aqui não seria diferente.

Quais foram as novas aquisições? Pasmem, logo de cara Cercei Lanister, isso mesmo, a grande vilã da nossa história até o atual momento. E ver o mundo pela sua ótica é no mínimo chocante, e extremamente importante em termos de trama para entender muita coisa que já aconteceu. E ainda arrisco dizer que a atriz que a tem interpretado na série tem feito um excelente papel.

Além da rainha louca, temos Brienne de Tarth, a donzela amazona que se demonstrou um dos melhores cavaleiros dos sete reinos. Me admirou ela receber tanta importância do autor. Confesso que achei suas partes do livro verdadeiramente chatas, era como se nada de importante acontecesse, mas não menosprezem Martin, ele sabe oque faz, e essa mulher é fundamental.

Outra novidade nas perspectivas, foi que dessa vez o autor tomou a liberdade de narrar capítulos focados em outros personagens, que não são principais. Como ele fez isso? Simples, ele atribui títulos mais ortodoxos aos capítulos, narrando várias outras partes da história, com vários outros personagens. E na minha opinião, grande parte dessas cenas foram as mais interessantes até agora.

Provavelmente já devem estar se perguntando, mas qual foi a minha real impressão do livro?

Um novo começo, um marco zero na trama. O primeiro livro foi a introdução das introduções, o segundo sua continuação, e o terceiro o final desse primeiro ciclo, para só então, dar início a outro muito maior.

É realmente como se tudo estivesse aumentando de proporção, nada ainda está certo, muitas coisas acontecem nesse quarto livro, mas nada tão impressionante quanto no terceiro, e justamente por isso já vou avisando, melhor não ir com sede ao pote, vocês podem ficar com mais sede ainda.

No geral, achei o livro fraco, muito morno, lógico que em termos de história, porque em termos de narrativa, Martin está cada vez melhor. Ele descreve aquilo que precisa de detalhes com dedicação, e descreve aquilo que precisa de entendimento, com clareza, ponto muito positivo para ele. Mas mesmo assim, tenho que confessar, está muito menos dinâmico do que foram seus anteriores.

Acredito que toda série tem seus altos e baixos, e esse livro é o ponto baixo do momento, nada que abale a história como um todo, que tem muito a nos surpreender.

[...]

Pois é galera, demorei, eu sei, e já retomei outro que estava lendo para recuperar meu prejuízo perdido no que diz respeito a literatura do gênero fantasia. Que diga-se de passagem, tem realmente muita, mas muita coisa ainda para ser descoberta.

Desabafo a todos vocês que minha semana de feriado foi bem decepcionante ao todo, não fiz praticamente nada do que devia. Além é claro das recentes crises de insônia, o lado bom é que eu descobri como burla-las, é esquisito, mas só ando conseguindo dormir com alguma coisa passando em uma tela, tipo TV ligada, ou seriados no PC. Faz parte.

E por hoje é só gente, até mais.

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